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Artigo Desde o fim da URSS

Artigo - A crise no Cazaquistão: Rússia e China novamente

Mais uma vez, Olavo tem razão.

11/01/2022 17h00
Por: Redação Fonte: Marcos Paulo Candeloro
Foto Divulgação AFP
Foto Divulgação AFP
Uma grande farsa. Teatro. Só que com vidas reais em jogo. Paixões que levam ao limite do homem. Comunicados de imprensa e discursos inflamados catalisam uma tresloucada horda. Os períodos acima poderiam ser sobre inúmeros eventos, são quase atemporais. O homem não aprende com sua história ou sequer com seu conhecimento acumulado. Os gregos que o digam. A disrupção que norteia este artigo é no Cazaquistão. Desde o fim da URSS, houve apenas dois presidentes cazaques:  Nursultan Nazarbayev, no poder até 2019, quando  assumiu o atual presidente, Kassym-Jomart Tokayev, em uma jogada muito semelhante ao dueto Putin-Medvedev na Rússia.
 
Com uma economia baseada em commodities, destacam-se o petróleo, GLP e urânio, por exemplo, é um país que ocupa o 9° maior território do planeta, mas com uma população de apenas 16 milhões de pessoas, aproximadamente. Ou seja, há enormes vazios em certas regiões e uma alta concentração populacional em zonas urbanas específicas. O país faz fronteira com Rússia e China. Sua população é composta de 71% de muçulmanos, majoritariamente sunitas, parte substancial composta pelos uyghurs, população massacrada pelos chineses e isoladas em campos de concentração. 
 
No início de 2022, Tokayev aprovou um aumento substancial nos combustíveis fósseis. Vale ressaltar a importância de da elevação de preços desse setor em um país de temperaturas extremamente frias em grande parte do ano. Ou seja, o custo de vida aumenta substancialmente na locomoção e habitação diretamente, fora o efeito em cadeia. As manifestações de rua tomaram proporções que obrigaram Tokayev a pedir auxílio russo, o qual foi prontamente atendido. Os rebeldes hoje são subjugados pela inteligência e tropas russas. 
 
Obviamente, há muito mais que relações entre os dois governos. O urânio do programa nuclear russo é de origem cazaque. Inúmeros testes nucleares foram feitos no território do país. Há uma relevante parcela de russos residindo lá. Putin, portanto, tem inúmeros argumentos para abraçar a estabilidade do atual regime.
 
Há quem aponte para influências americanas no país como fundamentais. Pueris analistas. O Cazaquistão não é a Ucrânia. Há sim uma influência ocidental. Todavia, ignorar o aspecto religioso do país é relevar a profissão de fé cazaque. Embora o governo do país mantenha boas relações com Rússia e China, o ressentimento com o PC chinês pelo extermínio em massa das minorias islâmicas no país, o qual provocou fugas em massa da China para o Cazaquistão. A pouca participação política e casos de invasões de mesquitas só aumentaram as tensões.
 
O modus operandi é o mesmo utilizado na Síria, na Ucrânia, na Bielorrússia, no Cáucaso e na Venezuela. Debelar manifestantes e manter o controle do país é fundamental geoestrategicamente. Mantém o fluxo de insumos, governos alinhados e posições estratégicas. Também, para a segurança do território russo, geograficamente acessível. Por fim, é impedir que um governo simpático ao radicalismo islâmico ou ao Ocidente russo-chinês assuma.
 
Em um único país, improvável, solidifica-se a tese do professor Olavo de Carvalho sobre as três disputas pela hegemonia global, muito bem descrito na transcrição (hoje uma leitura obrigatória: Os EUA e a Nova Ordem Mundial. Um Debate Entre Alexandre Dugin e Olavo de Carvalho) do debate entre Olavo  de Carvalho e Alexandre Dugin, estrategista russo de Putin e eurasiano convicto. Os projetos ocidentais, islâmicos e russo-chinês chocam-se diante dos olhos do mundo.
 
Resumidamente, o cenário mais provável é a estabilização dos rebeldes pela força. Ao mesmo tempo, é de um didatismo excepcional para entender geopolítica, além de explicitar a problemática russa com sua zona de influência herdada da URSS. Mais uma vez, Olavo tem razão.
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