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630 gramas podem mudar o destino da UP Mercedes

Tudo isso tem que trabalhar como um elo de uma corrente contínua e é feito através de um software extremamente sofisticado.

12/10/2021 13h30
Por: Redação Fonte: Adauto Silva
Foto Divulgação Auto Racing
Foto Divulgação Auto Racing

630 gramas. Esse pode ser um peso mágico para o motor de combustão interna da Mercedes.

Explico. Desde o GP da Inglaterra em Silverstone os Prateados reviram os mapeamentos que já estavam prontos para cada pista até o final da temporada.

E, por causa da grande performance da Red Bull e da Honda, a Mercedes refez seus mapeamentos de motor tornando-os muito mais agressivos. Os mapeamentos das UPs introduzidas a partir de 2014 são incomparavelmente mais complexos do que antes, já que o motor de combustão interna tem que trabalhar em perfeita sintonia não apenas com o turbo, mas com o MGU-K, MGU-H, que por suas vezes enviam energia elétrica para as baterias que, através da central eletrônica, devolve tudo isso em forma de potência controlada pelo mapeamento para o carro.

Tudo isso tem que trabalhar como um elo de uma corrente contínua e é feito através de um software extremamente sofisticado. Quando um elo desta “corrente” apresenta algum problema, toda a corrente é prejudicada por esse “elo” mais fraco.

No caso da UP Mercedes, desde que os mapeamentos foram mexidos, o motor de combustão interna se tornou o elo mais fraco, já que sua temperatura e pressão subiram e isso começou a acarretar micro vazamentos que iam aumentando com o tempo. Cada vez num lugar diferente do ICE (motor de combustão interna).

Isso fez com que todos os pilotos Mercedes que estavam utilizando os novos mapeamentos tivessem problemas em suas UPs a ponto de ter que trocá-la antes do prazo previsto, além de praticamente não sentirem o efeito que os mapeamentos mais agressivos supostamente deviam fazer.

Então, como os micro vazamentos estavam surgindo em lugares diferentes do ICE, a Mercedes decidiu trocar todas as juntas, parafusos, porcas, abraçadeiras, canos, mangueiras e tudo que une as diferentes partes do ICE por outras mais reforçadas e/ou com materiais diferentes. O ICE ficou 630 gramas mais pesado, um aumento de peso irrelevante, caso o problema fosse resolvido.

Valtteri Bottas foi a “cobaia” dessa tentativa de arrumar o problema na Rússia. A Mercedes não trocou a UP dele lá por causa de estratégia de corrida, mas sim por uma estratégia de motor, para ver se o que eles fizeram funcionaria na prática. Toto Wolff chegou a dizer isso de forma “enigmática” naquele final de semana…

Logo após o GP da Rússia, 11 engenheiros da fábrica de Brixworth, que é onde os motores da Mercedes AMG High Performance Powertrains são fabricados, foram com alguns equipamentos diretamente para a fábrica da equipe em Bracley testar e medir todos os parâmetros da UP que Bottas usou nos treinos livres para o GP da Rússia e a que ele usou no domingo da corrida, 630 gramas mais pesada.

Na UP que Bottas usou na corrida da Rússia, nenhum micro vazamento foi encontrado e todas as medições estavam dentro do padrão que eles consideram correto.

Foi por isso que a Mercedes resolveu trocar apenas ICE de Hamilton na Turquia e não a UP inteira.

Amanhã, terça-feira, os mesmos engenheiros que vistoriaram minuciosamente a UP de Bottas na semana passada, estarão novamente em Bracley para começar a vistoriar novamente a UP de Bottas – agora com duas corridas – e a que Hamilton usou na Turquia.

Se tudo estiver dentro dos padrões, a equipe vai continuar usando os mapeamentos revisados, caso contrário eles voltarão aos mapeamentos “originais”, que são bem menos agressivos.

Por Adauto Silva

 

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